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domingo, 27 de dezembro de 2015

Passarinha - Kathryn Erykine

Olá, venho trazer este livro espetacular!

Antes de iniciar a contar vou citar aqui uma nota que está na capa que me causou arrepios:
"Este livro vai agarrar você pelo coração e pelo pescoço, lhe dar uma boa sacudida, e deixá-lo torcendo pela alma humana. Se não se tornar um clássico, há algo de errado com todos nós."



Depois de ler esta nota confesso que fiquei com muito medo do que eu poderia encontrar, mas fui em frente e aposto que você irá também. Gostaria que sentisse o que eu senti.

O livro conta sobre Caitlin, uma garotinha de dez anos que mora com seu pai e seu irmão. Sua mãe faleceu há algum tempo.
Não é uma garota qualquer. Tem síndrome de Asperger, que pra quem não sabe é uma condição autista, onde a pessoa tem dificuldades de interagir com a sociedade e além disso comportamentos diferenciados e interesses estranhos. O que mais se ouve falar no livro é a dificuldade que Caitlin tem de sentir empatia pelas pessoas, ou seja, se colocar no lugar do próximo ou imaginar o que o próximo está sentindo. Muita dificuldade de "captar o sentido" como diz ela.

Seu irmão Devon a dava dicas de como agir e como não agir. A ensinava o que fazer em cada momento para parecer menos anormal para as pessoas, porém acontece uma tragédia e seu irmão falece em um atentado na escola. Leva um tiro no coração e nada pôde ser feito. Esse dia é denominado para ela em "o dia em que a nossa vida desmoronou". Seu pai passa os dias seguintes arrastados, numa depressão imensa.

A vida de Caitlin se segue e ela precisa frequentar as aulas, lá ela tem uma psico-pedagoga em que conversam sobre suas dificuldades, e nessas conversas insiste para que faça amizades, que aprenda a trabalhar em grupos.


"(...)Posso fazer um trabalho de grupo melhor sozinha. Tenho certeza de que você pode fazer um trabalho maravilhoso, mas colaborar com um grupo também tem seu valor. Que valor? Fazer amigos. Eu já tenho amigos. Me fale dos seus amigos. Meu dicionário. Minha tevê. Meu computador. A Sra. Brook faz que não com a cabeça. Eu estou falando de pessoas e de aprender a relacionar com elas. Eu sei fazer isso. eu as deixo em paz. Não desse jeito. Mas é isso que elas sempre me dizem - Me deixa em paz. Caitlin vai embora - então eu estou dando atenção ao que elas dizem e também fazendo o que pediram, portanto estou sendo amiga"


Precisa praticar a empatia, sentir o que os outros sentem, ou "adivinhar" o que pode ser o que a outra pessoa possa estar sentindo, mesmo não sendo ela. Como já disse Caitlin tem dificuldade de entender os sentidos da palavra e uma simples conversa pode ser mais demorado do que o normal para poder explicar o que quer dizer, e pode ser que quando ela entende, aconteça de forma errada.

"Tento não escutar o que papai está dizendo, porque por ora já senti toda a empatia que poderia suportar. A empatia é uma coisa que pode deixar a gente muito triste."


Nessa busca pela empatia, faz uma amizade com Michael, um garotinho que também sofreu com o massacre, pois sua mãe trabalhava na escola e também levou tiros. Eles conseguem se entender, mesmo ela estando no quinto ano e ele no primeiro.

Sua vida está conturbada, pois percebe que seu pai está triste e necessita de achar um "desfecho", aliás todos necessitam de um desfecho e isso incomoda a cabecinha dela procurando essa solução para seu problema que para ela é como "chegar à vivência da conclusão emocional de uma situação de vida difícil."

"Os lábios dele se apertam e quase parece um sorriso. Eu tinha até esquecido que antes papai sorria. Fico pensando se o Desfecho vai fazê-lo sorrir."


Por fim, aprendemos que não necessita de ser deficiente para ser denominado "especial" e que independente da doença ou dificuldade que a pessoa está passando temos que mostrar empatia.
Bom este é o resuminho básico do que rola no livro, mas alguns detalhes não posso deixar de citar:

MockingbirdCaitlin costuma fazer "bichinho de pelúcia" que entendi que é quando a gente sente emoção e os olhos lacrimejam de forma que tudo fica borrado que pra ela esse borrado é o mesmo que macio.
Também tem a sensação de "recreio no estômago" ou estômago embrulhado que é aquela sensação de vontade incontrolada de chorar.

Amei uma frase que foi dita: "Livros não são como pessoas. Livros são seguros" a explicação dessa frase é que livros não mudam sua essência, toda vez que o abrir lerá as mesmas palavras, mas pessoas mudam às vezes para melhor, mas às vezes para pior.



Espero que leia o livro e me conte o que achou, se chorou descontroladamente igual a mim.