sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Melancia - Marian Keyes

Olá pessoas!

Trouxe  mais uma leitura super envolvente,
hilariante e que vale muito a pena.

O início desta história conta da Claire, uma mulher realizada aos 29 anos, acaba de dar a luz a uma linda menina. Ela nos conta como está feliz com o nascimento de sua filha e como é feliz e realizada em seu casamento, porém antes mesmo que seu marido conhecesse sua linda filha, ele aparece na maternidade dizendo que a deixaria. Já estava tendo um caso com a vizinha há seis meses e que não a amava mais.

Após ser abandonada e humilhada, Claire se vê sem rumo. Assim que tem alta do hospital vai em seu apartamento e vê que James estava falando sério, ele a abandonou. Já que estava em licença maternidade foi para casa de sua mãe em Dublin na Irlanda, daria um tempo ao ex marido para ele pensar se era realmente isso que queria.

Na casa de seus pais conhecemos a família maluca de Claire, todos ficam feliz por ver ela, mas percebe a tristeza que está passando. Em tempos da sua mocidade gostava muito de beber e, para esquecer dos problemas atuais acabou entrando nessa de novo. Foi ao fundo do poço de tanta tristeza, se sentindo rejeitada, humilhada, feia, gorda, velha e sozinha. Sua família já não estava aguentando tanto mau humor, tanta explosão toda vez que em uma novela algum casal fazia cena se beijando, quebrava copos e garrafas, chorava muito e então seu pai precisou ter uma conversa séria pra ela pensar no que estava fazendo.

Pág 113 "Vamos colocar as coisas nos seguintes termos: eu ainda não recusaria a oportunidade de dar um soco no estômago de Denise nem de deixar James com um olho preto, mas não alimentava mais fantasias de me esgueirar para dentro do seu secreto ninho de amor e despejar um imenso tonel de água fervendo sobre seus corpos adormecidos. Acreditem, já era um progresso."

Claire viu que estava negligenciando sua linda filha naqueles momentos em que se embebedava, viu que deveria parar de sentir pena dela mesma e tocar a vida. Deveria saber de James se era isso mesmo que ele queria e continuar pela sua filha. Deu a volta por cima, da mesma forma que nós fazemos quando passamos um dia de baixo da coberta sem querer ver ninguém, mas no outro dia nos esforçamos para sair de casa mesmo por dentro estarmos despedaçadas.

Um certo dia sua irmã mais metida leva um rapaz amigo da faculdade para ajudá-la. Isso naquela família já era normal, sempre homens ficarem atrás de Helen, oferecendo ajudas, ligando e ela sempre os ignorando. Gostava deles nos seus pés.
O rapaz era lindo e deixou todas as mulheres da casa, incluindo a mãe, coradas e sem jeito. Adam era alto, corpudo, sexy, educado, olhos verdes, sorriso lindo, queixo quadrado, etc....
Lógico que Claire nunca iria imaginar que Adam se interessaria por ela que era muito mais velha que ele, mas o conhecendo melhor até começou a imaginar essa cena.

Tudo estava melhorando para nossa protagonista, voltou a ir na academia, cuidava de Kate, fazia planos para quando voltasse a trabalhar, separaria...
Até que James falta do serviço e vai à Dublim só para vê-las. Sua mente fica confusa e a partir daqui é com você que ficou interessado em ler este livro, indico muito.

Sem dúvida, as partes melhores deste livro são as irmãs de Claire. Anna, linda, delicada, humilde, estilo próprio e Helen linda, metida, arrogante, sincera. A escrita também é maravilhosa, não sentiria falta de diálogos devido sabermos os pensamentos da personagem e ela ser tão engraçada. Com certeza uma das personagens mais engraçadas que vi sendo criada. Perdi a conta de quantas vezes tive que segurar a risada perto de desconhecidos e quantas vezes não consegui segurar e ficava sem graça por estar rindo de um livro com o título de "Melancia". Uma palavra define: Hilariante!

Gostaria de colocar aqui alguns trechos que mais gostei, mas são tantos...

Pág 124 - parte mais engraçada do livro:
"Não me surpreenderia nem um pouquinho se alguns dinossauros atravessassem, arrastando-se, a porta da cozinha, comessem uma fatia de pão com manteiga e tomassem um copo de leite, em pé diante da bancada, colocando depois seu prato e seu copo na máquina de lavar louça, enquanto me cumprimentavam educadamente com a cabeça, terminando por arrastar-se novamente pra fora."


Pág 453 - Momento reflexivo:
"Embora eu tivesse quase 30 anos, às vezes comportava-me como uma criança quando estava perto da minha mãe.
-Ah, sim- disse ela. - Ninguém sabe o quanto é forte, até precisar ser.
-Acho que você tem razão - admiti.
-Tenho - disse ela, firmemente. - Veja seu caso. Você não se saiu tão mal assim, apesar de tudo pelo que passou.
-É, acho que sim - disse eu, em tom de dúvida.
-É verdade- insistiu. - Lembre-se, o que não mata, fortalece.
-Estou mais forte? - perguntei, com minha voz mais infantil.
-Meu Deus - disse ela -, quando você usa essa voz, eu realmente duvido.
-Ah- disse eu, aborrecida,
Queria que ela fosse boazinha comigo e me dissesse que eu era maravilhosa e podia enfrenar qualquer coisa.
-Claire- disse ela-, não adianta me perguntar se está mais forte. Quem sabe a resposta é você mesma.
-Ora, então estou- disse eu, em tom agressivo.
-Ótimo- ela sorriu. - E lembre-se: foi você mesma quem disse. Não fui eu."